
Deixa passar o vento e a tempestade, enquanto isso grite, esperneie, cante e bata palmas. O show está aí, aproveite o palco, a mãe Natureza espera ansiosa os acontecimentos.
Onde estamos?
Para onde vamos?
De onde viemos?
"Eu quero a minha resposta", você grita, "Eu quero uma só minha". O caos se instala lá fora e todos brigam, as guerras levam bandeiras com nomes em letras grandiosas e vermelhas: A MINHA RESPOSTA. Esse nome escorre pelo leve tecido das bandeiras, o livre tecido das bandeiras, o feminimo diante do poder de destruição masculino. Mas as mulheres destroem, o feminino e o masculino habitam os corpos, as mentes, os gestos. Eu lhe dei um tapa na cara pra acordar e agora estou morto, à sete palmos, coberto de lírios e lágrimas falsas, da sensação do 'poderia ter sido'.
Onde estou? Onde estou?
Somos jovens, o tempo transcorre depressa e com cinquenta anos ainda nos acharemos jovens e dirão que somos como vinhos, que a vida é bela e que o mundo começa agora, todos esses clichês que odiamos, que todos os jovens odeiam e inventam novos, cópias dos antigos, ainda mais clichês, expostos em flogs, blogs, orkuts e frases básicas de impacto no msn. Resumidos à um perfil, dados bem batidos e revisados, zero e um, zero e um até o infinito. Pseudo-sábios, enclausurados, protegidos no pequeno espaço de uma tela, de uma linha telefônica, de uma foto em que reconheço os olhos que você quis passar.
Tudo passa?
Antes eu lia olhos e achava que sabia de tudo. Antes eu dizia amar e as pessoas me adoravam. Antes eu era muito, muito besta.
Hoje eu amo todo dia de uma forma diferente. Hoje não leio olhos e se quero saber algo simplesmente pergunto. Conhecer alguém não é um estupro ou uma investigação. Um pouco de classe, um pouco de simpatia. Mais respeito, querido, mais respeito. Porque quando somos jovens o além do permitido é saboroso, quando envelhecemos, nos fechamos em nossos espaços que pensamos ser blindados. Prefiro ser como criança, que pula cercas pra catar goiaba sem querer desrespeitar o dono da casa, mas por causa das goiabas, da inocência das goiabas, do esporro dos pais, do choro no quarto, da risada repleta de rosa e sementes...
E no dia seguinte... mais goiabas.
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