sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Há tempos - Legião Urbana

Parece cocaína, mas é só tristeza.
Talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
Descompasso, desperdício.
Herdeiros são agora da virtude que perdemos.
Há tempos tive um sonho,
Não me lembro, não me lembro...
Tua tristeza é tão exata e hoje o dia é tão bonito.
Estamos acostumados a não termos mais nem isso.
Os sonhos vem... Os sonhos vão... O resto é imperfeito.
Dissestes que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a sua casa, mas a vizinhança inteira.
E há tempos, nem os santos têm ao certo a medida da maldade.
E há tempos são os jovens que adoecem.
E há tempos o encanto está ausente e a ferrugem nos sorrisos,
Só o acaso estende os braços à quem procura abrigo e proteção.
Meu amor...
Disciplina é Liberdade.
Compaixão é Fortaleza.
Ter bondade é ter Coragem.
Ela disse: lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa.

Passante


O mundo ao avesso, mas o egoísmo me supera. A desconfiança, o cíume, as invenções, as coisas aflitas, as coisas ridículas, tudo gira na velocidade de um orgasmo.

Ácido, até o último fio de cabelo, as hemácias perto de desnaturar. Oh sangue, sangue, que importa? Corre se me corto, e quem me corta?

É um pedaço de filme que me faz feliz, é algo sem sentido. Eu preciso de ajuda, eu grito, e ninguém me ajuda. As pessoas passam, as pessoas prendem, as pessoas não prestam.

Esse é um daqueles momentos em que se cansa de ter fé e depois passa. Depois de um tapa, depois de um beijo, de uma música, de afeto, de risadas.

Quando bate a meia noite não há ninguém no quarto. Não nasci pra passar um segundo sozinho. Não suporto passar um dia inteiro acompanhado, não sei o que quero, sei pouco o que sou. São instantes em toda parte, esse corpo frágil feito de papel, essa vida que se quebra em duas, basta estar sozinho.

A imaginação fértil me assombra, os desejos me condenam, os sopros, os versos, a inspiração que se foi... completamente.

Mas isso passa e no final, sempre um sorriso.

No final sempre um sorriso...

Esse final não chega nunca.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eu

Eu penso que o que fomos mostra o caminho de quem somos
Mas não somos o que fomos
Somos o que somos agora
Não o que seremos
Mas o que somos
E já passou
E já não somos
E passará
Ainda não somos
E eu sou eu
E isso basta
Porque o Eu não tem tamanho
Não tem limite
E nem medida
O Eu não tem espaço
O tempo é agora, é no presente
O único tempo que não é tempo
O único instante que vivemos.