domingo, 21 de dezembro de 2008

O bicho não faz mal, tem proteína.


Deixa passar o vento e a tempestade, enquanto isso grite, esperneie, cante e bata palmas. O show está aí, aproveite o palco, a mãe Natureza espera ansiosa os acontecimentos.

Onde estamos?
Para onde vamos?
De onde viemos?

"Eu quero a minha resposta", você grita, "Eu quero uma só minha". O caos se instala lá fora e todos brigam, as guerras levam bandeiras com nomes em letras grandiosas e vermelhas: A MINHA RESPOSTA. Esse nome escorre pelo leve tecido das bandeiras, o livre tecido das bandeiras, o feminimo diante do poder de destruição masculino. Mas as mulheres destroem, o feminino e o masculino habitam os corpos, as mentes, os gestos. Eu lhe dei um tapa na cara pra acordar e agora estou morto, à sete palmos, coberto de lírios e lágrimas falsas, da sensação do 'poderia ter sido'.

Onde estou? Onde estou?

Somos jovens, o tempo transcorre depressa e com cinquenta anos ainda nos acharemos jovens e dirão que somos como vinhos, que a vida é bela e que o mundo começa agora, todos esses clichês que odiamos, que todos os jovens odeiam e inventam novos, cópias dos antigos, ainda mais clichês, expostos em flogs, blogs, orkuts e frases básicas de impacto no msn. Resumidos à um perfil, dados bem batidos e revisados, zero e um, zero e um até o infinito. Pseudo-sábios, enclausurados, protegidos no pequeno espaço de uma tela, de uma linha telefônica, de uma foto em que reconheço os olhos que você quis passar.

Tudo passa?

Antes eu lia olhos e achava que sabia de tudo. Antes eu dizia amar e as pessoas me adoravam. Antes eu era muito, muito besta.
Hoje eu amo todo dia de uma forma diferente. Hoje não leio olhos e se quero saber algo simplesmente pergunto. Conhecer alguém não é um estupro ou uma investigação. Um pouco de classe, um pouco de simpatia. Mais respeito, querido, mais respeito. Porque quando somos jovens o além do permitido é saboroso, quando envelhecemos, nos fechamos em nossos espaços que pensamos ser blindados. Prefiro ser como criança, que pula cercas pra catar goiaba sem querer desrespeitar o dono da casa, mas por causa das goiabas, da inocência das goiabas, do esporro dos pais, do choro no quarto, da risada repleta de rosa e sementes...

E no dia seguinte... mais goiabas.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Nirvana e chocolate

Enquanto andava sozinho pela grama repleta de estrelas, ele não pensava em estrelas. Como heroína, as sensações do exterior vinham ao seu cérebro com extrema rapidez, o que o fazia alucinar e querer vomitar.
"Ela tem olhos de índia", "Minha boca de gaivota", esses pensamentos tolos vinham à sua mente, esses pensamentos geniais que só ele sentia. Como comer chocolate e enfiar a cabeça na distorção de uma guitarra no exato instante em que derrete aquele prazer em barra e o choque da pancada no quinto traste, da pisada no pedal, penetra até as gônadas.
Estava louco, definitivamente estava louco. Graças a Deus.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Scape

"E se eu numa esquina qualquer te vir
Será que você vai fugir?

Se você for, eu vou correr."

(Do Sétimo Andar - Los Hermanos)

O mundo anda tão triste que às vezes sou tragado por essa tristeza que flutua no ar. Não que eu esteja à salvo de qualquer tristeza, mas algumas vezes parece que ela vem como uma gripe.
Eu posso dizer que sou feliz e algumas vezes não estou feliz, mas não quero discutir isso. Sem contar que estou feliz demaaaais, mas ver alguém triste me pega de jeito e me torce, me bota do avesso.
Eu sinto quando ela está feliz e quando está triste e isso não me assusta mais. Na verdade nunca me assustou, sempre foi natural, sempre veio com o vento, com o ar. E quantas batalhas mais, quantas tentativas pra melhorar. Não me canso, de jeito nenhum.

É bom estar ao seu lado.

Se você for eu vou correr.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Press the button for cat juice.


"Oh, the sky's not the limit
and you never gonna guess what is..."

(Red Light - The Strokes)

Cansado até às unhas. Não, nem tanto, as unhas ainda funcionam. De um segundo para o outro eu chego naquele momento inevitável onde parece que nada valeu a pena. A porra da alma é enorme Fernando, mas tá foda. Tudo que valeu a pena foi tudo de mais importante e tudo isso aconteceu, menos o objetivo principal. Quer dizer... ainda não acabou.
Será que eu tenho cara de quem se contenta com a metade? Talvez a metade seja um e meio. É a teimosia.
Você sai de casa pra comprar laranjas e volta com um bilhete vencedor da loteria, um grande amor, camisinhas de morango pro resto da vida e maças. Great! But... where are the fucking oranges?
Sempre faltará algo? É questão de ego? Onde estão as horripilantes piadas de fundo moral? Talvez a graça só exista por ter sempre um sarcasmo por trás. É o português idiota, a loira burra, a mulher incompetente, o homem chifrudo, o negro que simplesmente é negro e o judeu que... não, judeu saiu da moda. E porque eu sempre acabo nas críticas?

Oh, fuck...

E no jornal os engenheiros dão uma de comentaristas de mesa redonda de futebol e dizem o que poderia ter evitado o caos de Santa Catarina. Dizem que deveriam ter posto os tais dos diques. Falasse antes honey, mas acho até que o cara falou. Let's give the engenniers some diques.

Oh, shit...

Ser gay virou moda, o que é péssimo para os gays, que são esteriotipados de acordo com a garotada que quer beijar na boca de gente do mesmo sexo. Moda está sempre ligada à sexo, drogas e qualquer tipo de música que balance a cabeça ou a bunda. Let's give to the boys and girls who think sex is like bis some diques.

Oh, my god...

Quando Deus entra no meio é minha hora de parar.

STOP!

"I've got nothing to give
Got no reason to live
I will kill to survive
Oh, I've got nothing to hide
Wish I wasn't so shy
I've got nothing to say."

(Ask me anything - The Strokes)